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Métodos de Diagnóstico da Obesidade - II

Índice de Massa Corporal - IMC
O Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de Quetelet foi estabelecido por Quetelet, em 1969, e é um método analítico, não laboratorial, que permite a avaliação da composição corporal de uma forma indirecta.
O IMC expressa a relação entre o Peso (massa corporal) e a Altura de um indivíduo e traduz-se pelo quociente entre a massa corporal em quilos e o quadrado da altura em metros, [IMC = Peso (kg) / Altura (m2)], e tem sido usado frequentemente para estimar o peso ideal ou a obesidade.
O IMC é não só um indicador que permite avaliar se um indivíduo tem ou não excesso de peso e é também um preditor da gordura corporal.
A OMS, em 2000, estandardizou a classificação do excesso de peso e da Obesidade baseada no IMC, para adultos de ambos os sexos. Após alguma controvérsia, devida sobretudo aos IMC apresentados pela população dos EUA, que são geralmente mais elevados, a OMS acordou que um IMC normal se situaria entre os 18,5 e os 24,9 kg/m2. No quadro seguinte, pode observar-se a classificação da Obesidade tendo em conta o IMC, segundo a OMS.
Classificação da Obesidade de acordo com o IMC
Classificação        IMC (kg/m2)        Risco de co-morbilidade
Baixo Peso             ≤ 18,5                Baixo (risco aumentado de outros problemas clínicos)
Peso normal          18,5 a 24,9          Médio
Excesso de Peso      ≥ 25                 Pré-obesidade
                              25 a 29,9           Aumentado
Obesidade grau 1   30 a 34,9          Moderado
Obesidade grau 2   35 a 39,9         Severo
Obesidade grau 3     ≥ 40              Muito Severo
Apesar de não representar a composição corporal, o IMC vem sendo utilizado como uma medida aproximada de gordura total, visto que apresenta uma forte correlação com a gordura corporal.
Apresenta como vantagens a grande facilidade de recolha de dados. Contudo, ntre as limitações do uso do IMC está o facto de que este indicador pode sobrestimar a gordura em pessoas com elevada percentagem de tecido muscular e subestimar gordura corporal de pessoas que perderam massa muscular, como no caso de idosos.
Pregas Adiposas
A lógica para a medida das pregas adiposas baseia-se no facto de que uma grande parte do conteúdo corporal total da gordura fica localizada nos depósitos adiposos existentes debaixo da nossa pele e ela está directamente relacionada com a gordura total.
A grande vantagem de se utilizarem as medidas de espessura das dobras cutâneas no estudo da composição corporal está no facto de que, além de se obterem informações quanto à estimativa da quantidade do componente de gordura total, torna-se possível conhecer o padrão de distribuição do tecido subcutâneo pelas diferentes regiões do corpo, o que se denomina topografia da gordura subcutânea.
Avaliação das Pregas
Para avaliar é necessário ter em conta os seguintes aspectos:
-As pregas deverão ser todas avaliadas do lado direito do corpo, excepto a abdominal, que deve ser medida do lado esquerdo;
- A mão que vai segurar a prega deve estar em forma de pinça (polegar e indicador);
-  Não tirar a mão que segura a prega, durante a medição;
- O adipómetro deve penetrar cerca de 1± cm na prega de adiposidade
- A escala do adipómetro deve estar voltada para o avaliador;
- Deve realizar-se 2 a 3 medições, o limite do erro, entre 2 medições consecutivas é de 2 mm.
Existem várias pregas de adiposidade que podem ser avaliadas, no entanto, são mais utilizadas 6 pregas: 3 referentes aos membros (tricipital, crural e geminal) e 3 referentes ao tronco (subscapular, ilíaca e abdominal).
A avaliação da composição corporal através das pregas adiposas também se torna possível com a utilização de equações de regressão que podem ser específicas de determinadas populações ou universais.
Método da Bioimpedância
Utiliza a condução de uma corrente eléctrica aplicada ao organismo, de baixa intensidade.
Todas as técnicas utilizam 4 eléctrodos (2 emissores e 2 receptores da corrente). A diferença de corrente é detectada pelos eléctrodos receptores, determinando assim o valor da impedância.
É considerado um bom método de estimação da água corporal, atendendo que avalia a Massa Isenta de Gordura, que contém grande parte da água e electrólitos do organismo.
Vantagens:  Fácil de aplicar, Não invasivo, Portátil, Pode ser aplicado em diferentes idades e estados de saúde (excepto em portadores de pace macker)
Limitações: Sobrestima a MG em indivíduos muito magros e subestima a MG em indivíduos obesos, Não ter ingerido líquidos nem sólidos há, pelo menos 2 h, Não ter efectuado actividade física intensa há, pelo menos 2 h, Cada pessoa apresenta uma grande variação no equilíbrio hídrico.
Todos os métodos de bioimpedância têm valores de referência.
Método da interactância por infra-vermelhos
É um método que se baseia na emissão de um raio de infra-vermelhos. A velocidade de condução de feixe permite estimar a Composição Corporal.
Vantagens: Fácil de aplicar, Não invasivo, Portátil, Relativamente acessível em termos de custos, Pode ser aplicado em diferentes idades e estados de saúde.
Limitações: Zona onde é realizada a leitura é muito reduzida (bicipital), Na estimativa da Composição Corporal varia consideravelmente em função da actividade física semanal, Nem sempre é fácil conhecer o perfil de actividade física geral de cada sujeito, Não há valores de referência.
Perímetros
A medição dos perímetros da cintura e da anca têm também sido usados como ajuda no diagnóstico da obesidade, uma vez que a investigação actual permite-nos saber que a gravidade da Obesidade não depende apenas do seu grau, mas também da forma como a massa gorda se distribui. Na literatura sugere-se uma divisão em dois grupos quanto ao tipo morfológico dos indivíduos, tendo em conta os perímetros da cintura e da anca: a Obesidade Ginóide e a Obesidade Andróide.
O padrão de distribuição da gordura, é de facto, o melhor indicador do risco de morbilidade associado à obesidade do que a quantidade de gordura corpral em termos absolutos (Ross e col., 1996).
Distribuição da gordura corporal


Obesidade Ginóide é o tipo morfológico característico das mulheres obesas, onde a distribuição da gordura se faz preferencialmente na metade inferior do corpo, glúteos e coxas.

Problemas: mecânicos (excesso de peso), psicológicos




Obesidade Andróide é mais usual nos homens obesos, onde a distribuição da gordura se acumula sobretudo na metade superior do corpo (região abdominal).

Problemas: cardiovasculares,Tendência para diabetes,Hipertensão, Arteriosclerose, Níveis elevados de colesterol, Níveis elevados de triglicerídeos

O excesso de tecido adiposo na região do tronco é um importante factor de risco de Doenças Cardiovasculares, e afecta significativamente a Tensão Arterial, entre outros.
A medição do perímetro da cintura é outro marcador alternativo da gordura visceral. Nos indivíduos do sexo feminino, perímetros da cintura superiores a 80 cm são considerados como um factor de risco acrescido de complicações metabólicas e acima dos 88 cm como um factor de risco elevado; nos indivíduos do sexo masculino esses valores são 94 e 102 respectivamente. O Rácio cintura/anca deve ser inferior a 0,85 na mulher e inferior a 1 no homem.
Perímetro da cintura               Homem                Mulher

Normal                                    Até 94 cm              Até 80 cm
Risco aumentado                  Até 94 cm              Até 80 cm
Risco muito aumentado        Até 102 cm           Até 88 cm
Avaliação dos Perímetros
Para avaliar deve ter-se em conta os seguintes tópicos:
- Utilização de uma fita métrica antropométrica;
- Colocar a fita métrica à volta do segmento (perpendicular ao segmento) evitando a compressão;
- Todas as medições devem ser realizadas com o avaliado em posição anatómica (em pé, com as palmas das mãos voltadas para a coxa), com excepção da medição do perímetro geminal na qual o avaliado deve estar sentado.
Fonte: Obesidade.info