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Ferro - Elemento indispensável na alimentação

O organismo de um adulto contém cerca de 4 g de ferro. A maior parte (cerca de 2,5g) é encontrada na hemoglobina e nos glóbulos vermelhos. A presença de ferro é imprescindível. Por isso, deve-se consumi-lo nos alimentos, seja através de fontes de origem animal (carnes, ovos, visceras) e vegetal (leguminosas, frutas secas e folhosos).

Função no  organismo
O metabolismo do ferro é complexo, pois este elemento intervém em muitos aspectos da vida. Ele é imprescindível para a formação da hemoglobina (molécula que transporta o oxigênio dos pulmões até as células de todos os órgãos e sistemas do corpo). Cada molécula de hemoglobina contém um átomo de ferro. A mioglobina das fibras musculares, similar a hemoglobina, e diversas enzimas da cadeia respiratória contém quantidades discretas deste mineral. Nestes casos, trata-se do ferro-heme.
O consumo de ferro adequado é essencial para o normal desempenho do sistema imunológico. As células cerebrais, os neurônios, também utilizam este micronutriente para seu funcionamento, além de interferir na função e sistema de neurotransmissores (substâncias que atuam como mensageiros químicos entre os neurônios). Entre 200 e 1.500 mg de ferro é armazenado no corpo sob a forma de ferritina (molécula formada de ferro e proteína que serve de reserva) e hemosiderina; cerca de 30% da reserva de ferro do organismo fica no fígado, 30% na medula óssea e o resto no baço e nos músculos.
No sangue, o ferro circula unido a uma proteína chamada transferrina, em concentrações de 100 a 150 mcg por 100 ml. Pode-se usar até 50mg/dia do ferro da reserva, dos quais 20mg/dia se utiliza na síntese de hemoglobina. A quantidade de ferritina que circula no sangue está diretamente relacionada com as reservas totais de ferro no organismo, sendo esta uma ótima ferramenta para a valorização clínica do estado de ferro e do diagnóstico de anemia ferropriva.
Onde é encontrado
Tão importante quanto determinar a quantidade de ferro que contém nos alimentos, deve-se levar em conta a sua biodisponibilidade, ou melhor, a maior capacidade de poder ser absorvido.
O ferro dos alimentos de origem animal (fígado, carnes e peixes) encontra-se sob a forma heme e é melhor absorvido (cerca de 2 ou 3 vezes mais) que o ferro não heme.
O ferro não heme é encontrado em leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico), oleaginosas (nozes, amêndoas, e outras), frutas secas (uvas passas, ameixa seca, figo seco) e vegetais de folhas verde-escuras (brócolis, espinafre, couve, mostarda). Estes alimentos contem ferro em porcentagens elevadas, como nas carnes, mas sua taxa de absorção é bem menor. A gema de ovo, cereais fortificados e alimentos integrais também possuem esta molécula de ferro.
A quantidade de ferro absorvida é uma pequena fração do total ingerido. Esta porcentagem oscila entre 20 e 25% nos alimentos ricos em ferro-heme e 5% nos alimentos que contém ferro não-heme. Além disso, existem fatores que afetam a absorção do ferro, inibindo ou estimulando, principalmente do não-heme.
Estimuladores da absorção do ferro: O ácido ascórbico (vitamina C), o ácido cítrico (presente no vinagre e frutas cítricas) e proteínas.
Inibidores da absorção do ferro: taninos (encontrados nos chás, café e chocolate), fosfatos (encontrados nos ovos), algumas proteínas (como a caseína presente no leite de vaca), fitatos e oxalatos (abundantes nos cereais integrais), e excessos de alguns minerais na alimentação como zinco, cobre e cálcio (encontrado no leite).
Recomendações
O organismo perde, cada dia, através da descamação da pele, da urina, das fezes e da menstruação, entre 1mg e 1,5mg de ferro. Para recuperar estas perdas, mediante uma alimentação equilibrada, deve-se ingerir entre 10 e 18mg diários. Estas quantidades são recomendadas para adultos sadios. Os requerimentos de ferro aumentam na mulher na idade fértil, na gravidez, na amamentação e nos períodos de crescimento (crianças e adolescentes).
Para uma melhor absorção do ferro, evite consumir junto com almoço e jantar alimentos à base de leite e seus derivados e  aumente a ingestão de frutas ricas em vitamina C, tais como, laranja, limão, kiwi, morango, mamão, manga, maracujá.

Anemia ferropriva


O aparecimento de anemia ferropriva é em conseqüência do baixo consumo de ferro. A principal causa é a diminuição dos depósitos de ferro do organismo, provocando uma redução do número de hemáceas e glóbulos vermelhos, que induzem a diminuição da concentração de hemoglobina e da capacidade de transportar oxigênio no sangue. Este tipo de anemia é muito freqüente.
Os sintomas causados pela falta de ferro: cansaço, fadiga, debilidade, irritabilidade, palidez, anorexia ou falta de apetite, náuseas, diarréia, úlceras bucais e perda de cabelo.
Os sintomas podem indicar a deficiência de ferro, que se comprova através da análise do sangue (níveis de hemoglobina, ferritina e hematócrito). O tratamento é a com administração oral de suplemento de ferro. O tratamento deve durar vários meses para repor novamente as reservas.
Grupo de maior risco
Os grupos considerados de maior risco para desenvolver deficiência de ferro são os lactantes menores de 2 anos de idade, crianças, mulheres adolescentes, mulheres grávidas e idosos. As crianças podem apresentar este tipo de anemia durante o período de maior desenvolvimento e crescimento devido ao aumento das necessidades, podendo afetar tanto seu nível de atividade como seu rendimento escolar.
A mulher fértil tem maiores perdas através da menstruação. Durante a gravidez existe certo grau de anemia devido ao aumento da demanda de ferro por parte do feto, acompanhado do aumento do volume do sangue circulante. Nos adultos a causa mais freqüente é a perda crônica de sangue, como em casos de úlcera gastroduodenal e hemorróidas, ou a diminuição na absorção do mineral por enfermidades que afetam o duodeno, parte do intestino onde se dá a absorção do ferro.
O grau de acidez gástrica aumenta a solubilidade e, por conseguinte, a biodisponibilidade do ferro alimentar. Por outro lado, a acloridria (falta de secreção de ácido), a hipocloridria (secreção insuficiente de ácido) ou a administração de substâncias alcalinas, como, antiácidos, interferem na absorção do ferro não heme ao não permitir sua solubilização nos líquidos gástricos e duodenais. Os que consomem uma alimentação insuficiente, monótona ou a base de lanches rápidos e desordenados, tem maior risco de ter déficit de ferro.

Comentários

  1. Sil, querida!
    Teu blog está maravilhoso!
    Quanta informação importante, parabéns!
    Que bom que gostou deste texto e o trouxe para cá, ficou ótimo.
    Alimentar-se bem é tão fácil, mas ainda há muitos enganos, precisamos divulgar sempre o que é uma alimentação saudável e equilibrada.
    Beijão.

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