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Feijão, Açai X Mal de Chagas

Circula na Internet e já recebi alguns emails a respeito do assunto, "Açai e Feijão contaminado com o Trypanosoma cruzi transmitem o mal de Chagas.".  
Nas pesquisas sobre o Açai encontrei informações de que está na mira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que pretende aumentar a fiscalização nacional da fruta. Porque estudos e informam  que o produto se tornou um transmissor do mal de Chagas, doença grave que pode levar à morte. O principal foco de contaminação do açaí tem acontecido no início de seu processo de produção, quando ele é colhido e esmagado para se extrair a polpa da fruta. 
O risco de contaminação realmente é alto, porque a produção do açaí é feita justamente onde há maior incidência do barbeiro, inseto transmissor da doença. Ambos vivem na mata, o que faz do estado da Amazônia-Brasil, por exemplo, um grande foco da doença. 
Sobre o feijão informa-se que  houve confirmação de casos de Chagas contraído a partir do feijão servido nas refeições dos brasieliros. Pelo que foi divulgado toda a colheita entregue por uma cooperativa de plantadores estava contaminada com o protozoário da doença de chagas (Trypanosoma cruzi), oriunda do barbeiro.
A doença se alastrou com rapidez, pois a cooperativa atende a mais de 18 empresas que embalam o feijão e distribuem para todo norte, Centro Oeste e Sudeste do Brasil.
O alarmante é que foi constatado que os lotes não foram retirados de circulação, fazendo com que o número de infectados aumente.
 A Maioria dos doentes estão no sul do estado de Goiás, São Paulo e Minas, porém sabe-se que há casos no Acre, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Infectologistas estão recomendando que se troque temporariamente o feijão por Canjica ou Grão de Bico (imunes ao Chagas) porém, se for indispensável o uso do grão do feijão nas refeições, aconselham que use 2 colheres de vinagre de maçã no feijão que deverá ficar de molho por 15 minutos (de preferência deixar de molho de um dia para o outro) ou hipoclórido de sódio a 1% (por uma hora).
Como nenhuma notícia que circula é totalmente especulação e mentiras, resolvi postar um estudo sobre o Trypanosoma cruzi, que confirma a veracidade dos fatos ocorridos com o Açai e o Feijão, segue trecho de um estudo científico sobre "Trypanosoma cruzi e suas características bio-ecológicas, como agente de enfermidades transmitidas por alimentos"
É um parasita isotônico com o meio interno de mamíferos e triatomíneos vetores, sobrevivendo bem em temperaturas idealmente entre 24 e 28ºC (inseto e culturas artificiais) e 36 a 37ºC (mamíferos agudos ou crônicos). Neste ponto, o cozimento superficial de alimentos (carnes sem icruas, por exemplo) pode ensejar a transmissão do parasita, enquanto procedimentos como a pasteurização (sucos, leite) seguramente a previnem. Em plasma congelado o parasita permanece viável entre três e vinte e quatro horas5. Em sangue humano conservado a 4ºC, o parasita sobrevive bem e tem capacidade infectante por uma ou duas semanas, diminuindo sensivelmente sua viabilidade na terceira semana, em especial do 18º dia em diante14. Sob ultracongelamento a 70ºC negativos o parasita conserva-se muito bem, durante anos. O pH ideal para o parasita é 7,2-7,3 (sangue de mamíferos, e luz do tubodigestivo dos triatomíneos) havendo morte celular em pHs
francamente ácidos ou alcalinos.
Neste ponto, reside um dos óbices alegados para a transmissão oral da tripanossomíase americana, certamente havendo a destruição de um sem número de formas infectantes quando expostas ao meio ácido do suco gástrico. Não obstante, os experimentos com leite ou sangue contaminado e ingestão de triatomíneos e reservatórios infectados por animais suscetíveis mostram que a transmissão oral tem chances de ocorrer, penetrando os parasitas pela mucosa do esôfago, do estômago e das porções iniciais do delgado.
Ilustrativamente, no surto de Santa Catarina de transmissão oral a seres humanos, exames endoscópicos de alguns pacientes agudos demonstraram lesões ulceradas na mucosa intestinal, com a presença de parasitas, evidenciando não somente a superação da barreira do suco gástrico, mas também a penetração e propagação do T. cruzi. Por outro lado, o parasita é sensível a diversos agentes químicos presentes ou adicionados ao seu meio ambiente, como o etanol, o hipoclorito de sódio a 1% (por uma hora), a violeta de genciana (1:4.000, por 24 horas), o psoraleno etc, podendo essas substâncias serem empregadas para eventuais propósitos de desinfecção preventiva23 27 44. A ação de algumas delas pode ser intensificada mediante a adição de ácido ascórbico, exposição a luz ultravioleta etc13 26 44. Em termos de sua nutrição, o parasita tem facilidade em sobreviver em sangue
ou meios pobres de nutrientes por vários dias (duas semanas pelo menos), conforme Cerisola cols14, desde que não haja dessecamento, que não haja agressões químicas e que a temperatura não ultrapasse a faixa dos 40ºC. Tripomastigotas têm reserva energética acumulada sob forma de proteínas e
lipídios, sendo incapazes de armazenar polissacarídeos, o que limita em muitas circunstâncias sua sobrevivência e capacidade de proliferação. O parasita retira do meio o provimento de glicose, frutose ou outros açúcares superiores,
metabolizados por via glicolítica ou de pentoses...” Leia o estudo completo
Importante é tomar os devidos cuidados de higiene com os alimentos vetores do Trypanosoma cruzi, sem grandes alardes e pânicos.
Fonte: Internet