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Trabalho por turnos: implicações na saúde e na alimentação

Comportamento alimentar dos trabalhadores por turnos
O trabalho por turnos pode afetar a distribuição da ingestão energética ao longo do dia. De facto, os trabalhadores por turnos tendem a petiscar mais frequentemente, em vez de ingerirem refeições completas; porém, no geral, este comportamento não parece causar impacto na ingestão energética total.
 Existem poucos estudos que tenham avaliado, de forma adequada, a ingestão de nutrientes e o impacto do momento da ingestão.
Os fatores que podem influenciar o consumo de alimentos incluem a alteração da rotina de toma de refeições com os familiares e amigos, comer sozinho e a qualidade dos alimentos e dos espaços onde são consumidos. Além disso, o momento da refeição não é respeitado e pode ser afetado, por exemplo, pelos esquemas de turnos.
É necessária mais investigação que elucide a relação entre a rutura do ritmo circadiano, o estilo de vida e as condições metabólicas vivenciada pelos indivíduos que trabalham por turnos. Esta relação será investigada no âmbito de um novo projeto financiado pela União Europeia, EuRhythDia, sobre o efeito das intervenções no estilo de vida (exercício físico, alimentação, exposição À luz solar e ingestão de melatonina). É difícil estabelecer-se recomendações alimentares para os indivíduos que trabalham por turnos, mas é possível identificar-se alguns princípios orientadores que promovam estilos de vida mais saudáveis, paralelamente às orientações de alimentação sadia e de gestão da fadiga.
Escolhas alimentares durante os turnos e entre os turnos:
Os locais de trabalho devem desenvolver uma estratégia nutricional que assegure a oferta de alimentos e bebidas saudáveis que devem ser consumidas em ambiente relaxado. Os esquemas de turnos devem ser elaborados de forma a permitir que os trabalhadores tenham intervalos de tempo adequados para, entre os turnos, manter um estilo de vida saudável – ter horários regulares de refeições, de exercício físico e de sono. Os trabalhadores por turnos devem tentar seguir, o mais possível, o padrão normal e convencional de ingestão de alimentos. Devem evitar, ou pelo menos, limitar a ingestão de energia entre a meia-noite e as 6h00 da manhã e optar por consumirem as refeições no início e no final dos turnos. Por exemplo, os indivíduos que fazem turnos da parte da tarde, devem consumir a refeição principal a meio do dia, em vez de a realizarem a meio do seu turno.
Os trabalhadores noturnos devem fazer a refeição principal antes do início do turno, na hora habitual de jantar. A toma do pequeno-almoço antes de se deitarem para descansar ajudará a prevenir o acordar, provavelmente mais cedo do que o previsto, com fome. Aconselha-se, no entanto, que esta refeição seja leve, uma vez que uma refeição farta (1 a 2 horas antes de dormir) irá dificultar o adormecer. Devem ingerir, regularmente, líquidos de forma a prevenir estados de desidratação, que podem aumentar o cansaço. Estimulantes, como a cafeína, podem depois de consumidos, permanecer no organismo algumas horas, contribuindo para o aumento do estado de alerta, interferindo, consequentemente com o sono. Se os trabalhadores acharem que necessitam de cafeína, devem consumi-la no início dos turnos e trocar para bebidas não cafeinadas à medida que o tempo passa.
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