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No Dia Mundial da Alimentação

16 DE OUTUBRO - DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO
Associação Portuguesa de Dietistas alerta para situações de malnutrição em Portugal 
• Projecto promovido pela Associação Portuguesa de Dietistas visa reconhecer Empresas e Instituições que tenham, ou venham a ter boas práticas em todas as áreas que envolvem o seu dia-a-dia, na área alimentar;
• Em 2010, a desnutrição afectava cerca de 1 em cada 3 doentes;
• Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso; 
 • Mais de metade da população adulta (53.6%) tem excesso de peso e 14.2% tem obesidade. 
No Dia Mundial da Alimentação, a Associação Portuguesa de Dietistas (APD) faz um alerta a todos os portugueses relativamente à Malnutrição. Além da divulgação de vários dados preocupantes sobre o tema, neste dia, a APD promove o seu mais recente projecto em parceria com a APAC, Associação Popular de Apoio à Criança, que visa reconhecer Empresas e Instituições que tenham, ou venham a ter boas práticas em todas as áreas que envolvem o seu dia-a-dia, na área alimentar, o “Programa Alimentação Sustentável e Responsável” 
Algumas destas Entidades lutam diariamente em prol de uma sociedade humanizada, justa e mais desenvolvida, com reconhecido mérito nas áreas em que trabalham dia após dia. Por outro lado, é intenção consolidar saberes de todos os envolvidos nas diferentes matérias, de forma a responder inteiramente a uma sociedade mais exigente e contribuir para um futuro melhor de todos. Desta forma, o “Programa Alimentação Sustentável e Responsável” irá prestar apoio e aconselhamento nas áreas: económica, nutrição, legislação, ambiente e responsabilidade social.
Segundo dados da FAO, Food and Agriculture Organization of the United Nations, que este ano debate a sustentabilidade alimentar e o seu impacto na saúde dos indivíduos. “actualmente, 870 milhões de pessoas a nível mundial estão cronicamente malnutridas, sendo que esta malnutrição assume diversas formas e apresenta um grande peso a nível económico, uma vez que leva a vários tipos de doenças e, por consequente, a elevados custos em saúde”.
Em Portugal verifica-se um cenário misto de situações de malnutrição: em 2010, um estudo realizado a doentes adultos em 6 hospitais do norte, mostrou que a desnutrição afectava cerca de 1 em cada 3 doentes no momento de admissão hospitalar. Dados da Comissão Europeia mostram que Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso. Crianças com idades entre os 6 e 8 anos apresentam 28.1% de excesso de peso e jovens dos 10 aos 18 apresentam 30.4%. Por fim, um outro estudo, este de 2008, mostra que mais de metade da população adulta (53.6%) tem excesso de peso, sendo que 14.2% tem obesidade. 
A inexistência de sistemas alimentares sustentáveis poderá ser um dos factores que está na génese da iniquidade de distribuição de alimentos. Se por um lado, em certas zonas, se verifica uma acessibilidade reduzida a alimentos, por outro, noutras zonas, verifica-se uma grande abundância e desperdício alimentar. Segundo um estudo da DECO, Portugal desperdiça um total de 1 milhão de toneladas de alimentos por ano, 324 mil das quais em casa dos consumidores. Num contexto de crise, este problema ganha ainda um maior relevo, a nível ético. 
O papel do consumidor -  “Torna-se fundamental capacitar o consumidor para a tomada de decisões e escolhas a nível alimentar que reduzam o impacto negativo na sustentabilidade dos sistemas alimentares, com o objetivo de diminuir progressivamente a desigualdade no acesso e no consumo de alimentos que atualmente se verifica”. 
Afinal, como pode o consumidor ajudar a tornar os sistemas alimentares mais sustentáveis e saudáveis? Como pode ajudar a produzir alimentos saudáveis e nutritivos, suficientes para todas as pessoas? Segundo a Associação Portuguesa de Dietistas, em apenas 3 passos é possível contribuir para a redução da malnutrição: 
• Reduzir o desperdício alimentar Uma gestão mais adequada e ponderada na compra de alimentos poderá evitar o desperdício alimentar e contribuir para uma maior sustentabilidade dos sistemas alimentares.
 • Preferir os alimentos na sua forma mais natural possível Todo o processamento dos alimentos leva à criação de produtos tóxicos e de gases perigosos para o efeito de estufa, poluindo o ambiente e acabando por afetar a fauna e a flora do planeta. Assim, prefira os alimentos no seu estado natural e com o menor processamento possível e, para além de estarmos a adquirir alimentos mais saudáveis, estamos a contribuir para a proteção do meio-ambiente e, consequentemente, para a sustentabilidade dos sistemas alimentares. 
• Fazer escolhas alimentares saudáveis e equilibradas Quantidade e qualidade são os dois pilares fundamentais para uma alimentação saudável e equilibrada: a quantidade de alimentos consumidos precisa de ser suficiente para suprir as nossas necessidades energéticas, mas também não deverá ultrapassá-las. Os alimentos devem ser diversificados, com várias combinações de frutas, vegetais, cereais, gorduras e alimentos de origem animal. Com estes pilares, existe uma grande probabilidade de assegurar as necessidades nutricionais da maioria das pessoas, levando a uma maior qualidade de vida. Tendo por base o consumo equilibrado, contribui-se para a criação de uma consciência de sustentabilidade de sistemas alimentares capazes de assegurar a alimentação adequada para a população mundial. 
Recomendações Associação Portuguesa de Dietistas
1. Fazer um planeamento das refeições e das compras de alimentos/produtos alimentares, de acordo com o que será consumido pelo agregado familiar e de acordo com o que tem ainda em stock; 
2. Na hora da compra, verificar os prazos de validade dos produtos alimentares;
3. Se nem sempre se conseguir consumir em tempo útil alimentos perecíveis (legumes e fruta), optar por comprar em menores quantidades e/ou versões congeladas – duram mais tempo e as suas qualidades nutricionais não se alteram;
4. “Reutilizar” as sobras das refeições para elaborar outros pratos ou sopas;
5. Ter atenção a embalagens muito grandes – se não for consumido antes do fim da validade pelo agregado familiar, optar por embalagens mais pequenas;
6. Fazer uma gestão mais eficaz da quantidade de alimentos que são preparados e consumidos – não preparar mais do que o que se come;
7. Conservar os alimentos da forma mais adequada. 
A APD alerta.  “O desperdício de alimentos, num contexto de crise é impensável. Se cada um contribuir, seguindo estas recomendações, poderá haver uma grande redução do desperdício. É imperativo consciencializar a população para esta problemática!”
Sobre a Associação Portuguesa de Dietistas:
A APD é uma associação profissional de direito privado, que representa os Dietistas em Portugal. Tem como finalidade: 
• Defender a ética e a qualificação profissional dos Dietistas, a fim de assegurar o direito dos utentes a uma saúde alimentar; 
• Fomentar, defender e valorizar a profissão;
• Dar o seu parecer sobre todos os aspectos relacionados com a organização dos serviços que se ocupam da saúde junto das entidades oficiais competentes. 
O Dietista é, então, um profissional de saúde cujo objectivo primordial consiste na aplicação das ciências da nutrição no tratamento de doenças e na promoção da saúde, a nível individual e colectivo. 
Saiba mais em http://www.apdietistas.pt/

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