Avançar para o conteúdo principal

Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância”

31,4% das crianças portuguesas com 1 - 3 anos de idade apresenta excesso de peso e cerca de 6,5% obesidade
Investigação realizada em Portugal a 2.232 crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 36 meses de idade
90% das mulheres iniciam a amamentação tendo as mulheres obesas menor probabilidade de o concretizar.
A duração média do aleitamento materno exclusivo é de 4 meses. Mais de metade das mulheres (53%) ainda amamenta aos 6 meses e cerca de ¼ aos 12 meses.
Dos 12 aos 36 meses as crianças registam consumo de proteína mais do dobro do recomendado.
Aos 2 – 3 anos de idade as bebidas açucaradas e as sobremesas e doces são consumidas diariamente respectivamente por 17% e 10% das crianças.
Apenas cerca de metade atinge a recomendação de 5 porções diárias de fruta e vegetais (50% no 2º ano de vida e 44% no 3º ano).

Lisboa – 1 de Novembro de 2013 - A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto apresentam hoje os resultados nacionais do projecto “EPACI Portugal 2012 – Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância”. Trata-se de um projecto pioneiro, em Portugal e na Europa, uma vez que, nomeadamente no nosso país, não existiam dados representativos nacionais relativos ao perfil de crescimento e comportamento alimentar das crianças até aos três anos de idade.
O estudo foi desenvolvido em parceria pela Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e com a colaboração e apoio de Milupa- Danone Nutricia Early Life Nutrition. Conta, igualmente, com o apoio da Direcção Geral da Saúde e das diversas Administrações Regionais de Saúde, bem como com o patrocínio cientifico da Sociedade de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição da SPP, da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) e da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN).

O estudo avaliou 2 232 crianças com idades entre os 12 e 36 meses residentes no continente, mas também recolheu dados do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil e informações relativas ao crescimento e à alimentação durante o 1º ano de vida. Os progenitores, com uma idade média de 34 anos, registam uma preocupante prevalência de excesso de peso ou obesidade de cerca de 38% nas mulheres vs 61% dos homens. Relativamente às crianças, os dados gerais indicam que durante os 3 primeiros anos de vida, apresentam um potencial genético de crescimento sempre inferior à média de referência mundial, traduzido por um comprimento abaixo do valor médio da OMS. Relativamente ao peso, entre os 6 e 9 meses de vida passa a expressar valores acima do valor médio de referência da OMS. Consegue-se também perceber que existe uma clara alteração da curva do IMC a partir dos 4-6 meses de idade, passando de valores inferiores para valores acima da média de referência da OMS. Das crianças avaliadas com idade entre 12 e 36 meses, 31,4% apresenta excesso de peso e 6,5% obesidade.
Para Carla Rêgo, coordenadora do EPACI Portugal 2012 e fundadora e presidente do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica (GNEIOP), “muito embora a população portuguesa seja actualmente mais alta do que há 2-3 décadas atrás, na dependência do crescimento secular consequente sobretudo à melhoria do acesso ao alimento e à saúde, o certo é que continuamos a ser dos povos mais baixos, particularmente da Europa. É fácil de entender que, quanto menor for a estatura, maior será a facilidade para, vivendo num ambiente facilitador (obesogénico), desenvolver excesso de peso e obesidade. O que preocupa é o facto de este ambiente começar, aparentemente, a expressar-se tão cedo quanto os primeiros anos de vida e esta preocupação é tão mais lícita quanto mais clara a associação que a ciência vem demonstrando entre um precoce e rápido aumento de peso e o risco futuro, não apenas de obesidade, mas também de doença cardiovascular, diabetes e cancro. ”
Os dados relativos a alimentação no primeiro ano de vida.

Porque o primeiro ano de vida é crucial para o treino dos paladares e texturas e consequentemente para a educação do comportamento alimentar futuro por parte da criança, o EPACI concentrou-se nas informações referentes aos 12 meses de idade a fim de perceber algumas realidades. A nível nacional, 90% das mulheres iniciam a amamentação, sendo a escolaridade e o nível socioeconómico-cultural do agregado familiar factores favorecedores, enquanto a obesidade materna está associada a menor probabilidade de iniciar aleitamento materno. A duração média do aleitamento materno exclusivo é de 4 meses e a região norte do país é aquela em que mais mulheres (1/4) amamentam em exclusivo o seu filho até ao 6º mês. Mais de metade das mulheres (53%) ainda amamenta aos 6 meses e cerca de ¼ aos 12 meses. Cerca de 2/3 dos lactentes diversificam a alimentação entre os 4 - 5 meses, sendo a sopa de legumes o primeiro alimento a ser oferecido em mais de metade das crianças. Nas crianças que já tinham introduzido o leite de vaca em natureza, a mediana para a idade era de 12 meses e 9% das crianças introduzem-no na sua dieta antes dos 12 meses.
Segundo Carla Rêgo, “as limitações impostas pelo tempo atribuído à licença de amamentação, bem como a política e a “cultura” no nosso país, que são cada vez menos protetoras das mulheres com filhos pequenos, serão algumas das justificações possíveis para este curto tempo de aleitamento materno exclusivo, longe dos 6 meses recomendados pela OMS. No entanto, importa referir que a forma como se diversifica a alimentação durante o 1º ano em Portugal é genericamente adequada e segue as recomendações nacionais e europeias, denotando boas práticas dos cuidados primários de saúde e dos pediatras.”
A alimentação no segundo e terceiro anos de vida
Relativamente ao período de vida após os 12 meses e até aos 36 meses de idade, as crianças portuguesas registam um consumo de energia superior às recomendações e o consumo de proteína é mais do dobro do recomendado. Segundo Carla Rêgo, “Cerca de ¾ das crianças introduz leite de vaca em natureza a partir dos 12 meses de idade, representando este alimento o principal fornecedor da energia e da proteína ingeridas diariamente.”
Durante o segundo e terceiro anos de vida o consumo numa base diária de bebidas açucaradas e sobremesas e doces é de 17% e de 10% respectivamente, contribuindo para um excesso de açúcares simples.
A quase totalidade da população infantil consome diariamente fruta fresca (93%) e sopa (95%), mas apenas metade (52%) inclui vegetais no prato. Apenas cerca de metade das crianças (47%) atinge a recomendação de 5 porções diárias de fruta e vegetais (50% no 2º ano e 44% no 3º ano de vida). No entanto, nem todo o cenário é negativo: a ingestão diária de micronutrientes é em geral adequada, sendo de salientar o aporte correto de cálcio e ferro.
 “O EPACI Portugal 2012, fortemente apoiado pela Direcção Geral da Saúde, ao permitir o conhecimento da nossa realidade relativamente a “como se come e como se cresce” durante os primeiros 3 anos de vida em Portugal, pretende-se que promova um debate aberto entre especialistas e responsáveis políticos da área da saúde infantil com o objectivo final de elaborar recomendações adequadas à população portuguesa tendentes a optimizar o crescimento conducente a um futuro adulto saudável”, acrescenta Carla Rêgo.

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) descende da Régia Escola de Cirurgia do Porto, criada no ano de 1825 por D. João VI.
Actualmente, a FMUP lecciona o curso de Mestrado Integrado em Medicina e participa no ensino dos cursos de Medicina Dentária e Ciências Nutrição da Universidade do Porto. Promotora de 14 cursos de 3.º ciclo/Programas Doutorais, a Faculdade lecciona ainda 15 cursos de 2.º ciclo/ Mestrados, 18 cursos de Especialização e 24 cursos de Formação Contínua. Com cerca de três milhares de estudantes nos vários ciclos de ensino e um corpo docente altamente qualificado (cerca de 50% são doutorados), a Faculdade desenvolve e promove as suas relações institucionais dentro e fora do país, como comprovam os vários protocolos firmados com instituições tão reputadas como as Faculdades de Medicina da Universidade de Gent (Bélgica) e da Universidade de Milão (Itália), que integram o Top 50 do Ranking de Shanghai.
Recordista na produção de investigação, o seu contributo para o avanço da ciência aplicada à Medicina é incontestável, sendo prova disso os dados referentes à produção científica nacional, que revelam o lugar cimeiro da FMUP na produção de conhecimento, com 553 publicações originais indexadas de circulação internacional (em inglês) em 2012. Esta faculdade mantém-se fiel à reputação de exigência que conquistou junto dos seus estudantes. É este rigor que está na base da excelência dos médicos que forma. A excelência do ensino que pratica, a sua intensa actividade científica e a sua prática assistencial são pontos-chave da vida e do nome desta instituição que tem sido premiada de forma consistente com a preferência dos estudantes que ambicionam uma carreira na Medicina.
A Escola Superior de Biotecnologia (ESB – www.esb.ucp.pt) – integra a Universidade Católica no Porto e oferece cursos de Licenciatura, Mestrado, Doutoramento e Pós-Graduação nas áreas das ciências da vida (nutrição, microbiologia) e engenharia (alimentar, ambiente e biomédica). Foi pioneira no lançamento da formação em Engenharia Alimentar em Portugal, há já 25 anos, oferecendo ainda a única licenciatura em Microbiologia existente no país. O suporte científico aos vários cursos é garantido pela investigação desenvolvida no seu Centro de Biotecnologia e Química Fina, que detém actualmente o estatuto de Laboratório Associado do Estado. Ainda no âmbito da ESB está a incubadora de PME, que faz a ligação para o empreendedorismo de base tecnológica e já apoiou cerca de 30 projectos empresariais.
A Universidade Católica Portuguesa é a única universidade não estatal que faz parte do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Tem como missão produzir e partilhar conhecimento crítico, inovador e socialmente relevante, ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa e em prol do bem comum. No Porto, integra a Escola das Artes, a Escola de Direito, a Escola Superior de Biotecnologia, a Faculdade de Economia e Gestão, a Faculdade de Educação e Psicologia, a Faculdade de Teologia, o Instituto de Bioética e o Instituto de Ciências da Saúde, contando com cerca de 6.000 estudantes, 600 docentes e 200 funcionários.
Milupa é uma empresa da Danone Nutricia Early Life Nutrition, comprometida com a melhoria da nutrição infantil em Portugal, tendo como objectivo tornar-se o melhor parceiro dos pais e dos profissionais de saúde e nutrição, oferecendo produtos e serviços, desde a concepção até anos primeiros anos da criança. Para cumprir sua missão, a Danone Nutricia Early Life Nutrition apoia toda a sua actividade numa base credível e científica, através dos seus 1400 especialistas e investigadores, tendo mais de 1.600 publicações científicas, 35 estudos clínicos de nutrição infantil publicados até 2010, 220 milhões de euros investidos em pesquisa e 6 centros de pesquisa especializados em nutrição infantil no mundo.
Fonte: ONMI – Strategic Partners
Liana Pinto