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História dos alimentos funcionais


Atualmente, muito se ouve falar sobre nutrição funcional, parece até "febre" todo profissional do ramo da nutrição, gastronomia, desportivo agora é funcional, o bom agora são só os alimentos funcionais, porém, esse conceito não é novo. Com a constante busca por alimentos que nos tragam mais saúde, mitos e tabus alimentares estão a ser quebrados e especialidades tem sido criadas nessa área, também, por ser um campo fértil e amplo para investigações e investimentos. Desse modo cria-se a especialização ou pós-graduação em nutrição funcional.
Um nutricionista apenas graduado, hoje, não é suficiente,  o profissional tem que ter especialização em outras áreas, como clínica, ortomolecular, funcional ou nutracêuticos , nutrigenética,  desportiva, etc. Se aparecer no futuro outro termo para designar uma alimentação saudável, surgirá outra especialização e mais outra e mais outra, e por ai vai. 
Há quem já separe a nutrição em tradicional e  funcional. Para mim, ambas devem se complementar para o bem maior dos indivíduos. 
Creio que a área de nutrição clínica não esteja fora da funcional, nem da ortomolecular, então, por que não unir os conhecimentos, em vez de separá-los criando cursos e títulos novos?  Eu tenho cá as minhas hipóteses de resposta para essa minha pergunta, mas deixarei a resposta com vocês.
Quando o termo funcional deixar de ser moda, como os nutracêuticos (que foi praticamente, substituído pelos funcionais e pouco, hoje, se ouve falar) e de ser atractivo e lucrativo, o que permanecerá será os já consagrados, conhecidos e "seculares" alimentos saudáveis.
Mas, vamos ao histórico dos alimentos funcionais
Durante as décadas de 50 e 60, a indústria de alimentos buscou melhorar sua cadeia de produção com o desenvolvimento de novos aditivos (conservantes, estabilizantes, espessantes, corantes, entre outros) para garantir um maior tempo de validade e uma melhor aparência dos seus produtos e consequente aumento de faturamento. (VIEIRA et al., 2006).
Nas décadas posteriores (70 e 80), o enfoque dos estudos foi sobre a eliminação de componentes prejudiciais à saúde (cerveja sem álcool, café descafeinado), assim como a produção de alimentos com baixos teores de energia, açúcares e gorduras (produtos Light e Diet). A partir da metade da década de 80, os alimentos passaram a ser associados à saúde, como sinônimos de bem-estar, redução de riscos de doenças, como veículos para uma melhor qualidade de vida. É neste contexto que entram os chamados “alimentos funcionais”. (VIEIRA et al., 2006).
A ideia de que os alimentos poderiam possuir propriedades terapêuticas não é recente. Há milhares de anos, as antigas culturas chinesa, indiana, egípcia e grega trabalhavam muito com o conceito de comida-remédio, atribuindo propriedades preventivas e/ou curativas aos alimentos. A famosa frase declarada pelo grego Hipócrates 2.500 anos atrás: “Faça do seu alimento seu medicamento” prova este fato.
Novo é a utilização do termo alimentos funcionais e o interesse de buscar e explorar mais amplamente o potencial dos alimentos em reduzir o risco de determinadas doenças e o tratamento científico e legislativo dado à questão. (VIEIRA et al., 2006). O termo alimento funcional foi inicialmente introduzido no Japão em meados dos anos 80. Eram alimentos similares em aparência aos convencionais, usados como parte de uma dieta normal, e que demonstram benefícios fisiológicos e/ou reduzem o risco de doenças crônicas, além de suas funções nutricionais básicas. (STRINGUETA et al., 2007).
O Japão também foi o pioneiro na formulação de um processo de regulamentação específico para os alimentos funcionais. Conhecidos como Foods for Specified Health Use – FOSHU (“Alimentos para Uso Específico de Saúde”) são qualificados e trazem um selo de aprovação do Ministério de Saúde e Previdência Social Japonês. (ARAI, 1996).
Em ação conjunta com outros órgãos, a Comissão Europeia, coordenada pelo International Life Sciense Institute Europe (ILSI Europe), criou o Projeto Ciência dos Alimentos Funcionais na Europa (Functional Food Sciense in Europe - FUFOSE) em 1998, concluído em 1999. Este projeto apresentou uma forma de relacionar as alegações em alimentos funcionais com sólidas evidências científicas, classificando essas em alegações de melhora da função e alegações de redução de risco.
Posteriormente, o Conselho da Europa (2001), o Codex Alimentarius (2003) e a União Europeia (2003) propuseram novas classificações das alegações de saúde dos alimentos funcionais. Em 2005, em ação conjunta promovida pelo ILSI Europe foi criado o Processo para Avaliação da Base Científica para Alegações em Alimentos (PASSCLAIM), com o objetivo de definir critérios para avaliação das bases científicas das alegações. No relatório deste projeto, a expressão “alegação em saúde” concorda com o Codex Alimentarius, que entende que a palavra “alegação” significa “alegação em saúde”, incluindo todas as alegações relacionadas à saúde, ao bem-estar e ao desempenho físico e mental. (STRINGUETA et al., 2007).
Nos Estados Unidos, o conceito de alimentos funcionais começou a ser difundido a partir dos anos 90, quando o Instituto Nacional do Câncer Americano criou um programa para financiamento de pesquisas sobre componentes presentes nos alimentos, principalmente os fitoquímicos existentes em frutas e verduras, que pudessem apresentar atividade anticancerígena. Este programa, denominado Programa de Alimentos Projetados (Designer Food Program), teve a duração de cinco anos e um investimento de 20 milhões de dólares (MILNER, 2000 apud PIMENTEL et al., 2005). Atualmente, os Estados Unidos não possuem uma legislação específica para os alimentos funcionais.
Fonte: Portaleducação
Imagem Google imagens
Continuação de um bom fim de semana
Beijinhos nutritivos